sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nos caminhos da Glória, by Eleonor Munro

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A peregrinação é uma atividade universal antiqüíssima que tem uma atração psicológica muito profunda. Leva multidões de pessoas para margens de rios, picos de montanhas e santuários solitários do deserto.

Na peregrinação o tempo é medido pelo nascer do Sol e da Lua, pelo aparecimento das estrelas, pelo equinócio e solstício e pela chegada dos planetas nas respectivas posições. Numa definição mais ampla, até seria possível argumentar que sair em peregrinação é uma das poucas práticas humanas compartilhadas pelo mundo todo e começou junto com o anseio de evoluir que provocou a percepção autoconsciente da humanidade em relação ao mundo.

São com estas palavras que Eleonor Munro abre seu estudo sobre peregrinações, numa obra intitulada Nos Caminhos da Glória. Dividido em seis capítulos, o livro aborda algumas das principais rotas peregrinatórias do Ocidente e do Oriente, contemplando as seguintes localidades nessa ordem: Índia, Indonésia, Jerusalém, Grécia, Roma e Santiago de Compostela.

Formada em História da Arte, Eleonor buscou nesse estudo oferecer uma descrição da peregrinação nas principais religiões universais, exceção feita ao islamismo, por conta da dificuldade que alegou possuir em se dirigir à sagrada cidade muçulmana de Meca. Diz ela que “o livro é também uma visão especulativa; sugiro que existe um mito básico que proporciona uma montagem visual e as estruturas internas da peregrinação pelo mundo inteiro.”


Nada de novo nessa visão de Eleonor, no que diz respeito ao mito básico que permeia as mais variadas tradições religiosas mundo afora. Muitos estudiosos das religiões já escreveram sobre isso, entre eles Mircea Eliade, uma referência nesse campo, Victor Turner (em seu excelente e fundamental texto A imagem e a peregrinação na sociedade cristã) e Joseph Campbell, o grande mitólogo norte-americano que dispensa comentários. A autora valeu-se desses e de outros grandes estudiosos para criar o alicerce de sua obra e nesse sentido foi muito feliz, porque o resultado em termos mais acadêmicos foi bastante sólido.

Porém, algo ficou faltando no meio do caminho e já lhe digo o que é. Mrs. Munro começa bem a sua jornada; de forma literal, a escritora põe os pés na estrada, de modo que logo imaginamos que o livro vai ter aquela aprazível mistura de texto acadêmico com narrativa de viagem que combina feito pão e vinho. Mas isso só acontece primordialmente na primeira viagem da velha dama, quando ela se dirige à Índia.




Naquele país temos um relato vigoroso, cheio de observações e notas de viagem saborosas, onde a autora se mistura com os locais, interroga (via intérprete) os homens santos - sem vergonha e quase de maneira descarada - com perguntas sonsas do tipo: “Em que está pensando?”. Sorte a dela que o sâdhu era um homem educado, assim como o indiano que ela encontrou um dia em Nova Iorque, quando arriscou uma pergunta um pouco mais elaborada:
- Qual a melhor coisa a procurar na Índia?
Procure Shiva – respondeu o hindu.
- Onde?
- Em Benares.
- Em que parte de Benares?
- Onde procurar, vai achá-lo.





Se não é tão boa com as perguntas, pelo menos não faz feio quando se põe a refletir sobre aquilo que acontece ao seu redor; Eleonor sabe tirar proveito de suas leituras e sem dúvida é uma mulher inteligente e bastante curiosa em aprender coisas novas. Nesse aspecto, o leitor ganha muito com a leitura.

Na releitura que fiz da obra logo me veio à mente o que havia me desagradado na primeira vez: o distanciamento da Eleonor viajante, que cedeu lugar à Eleonor pesquisadora; depois da viagem para o subcontinente indiano, a participação da autora com o objeto de sua pesquisa torna-se muito distanciada, e o que prometia ser um relato apaixonante de uma pesquisa de campo acaba se transformando em um texto acadêmico sem emoção. O capítulo dedicado ao Caminho de Santiago, que me motivou a comprar o livro na época, é um desânimo só. Um desperdício, porque Eleonor tem muito jeito com as palavras.



Enfim, o que se pode fazer? Eu havia desistido de escrever sobre essa obra aqui no Odepórica porque achei que não conseguiria tirar algum material condizente com a temática das viagens, por conta do que acabei de escrever no parágrafo anterior.

Mas achei um gancho, que servirá, pelo menos, como um momento de reflexão àqueles que, como eu, se sentem atraídos pelas experiências deambulatórias alheias (e fará com que minha releitura, afinal, tenha valido a pena). Refiro-me a uma passagem onde a autora se encontra na Índia, terra abençoada por um milhão de deuses. E nessa imensidão de divindades, uma sempre haverá de causar impacto: a deusa Kali.



Kali, a deusa negra, deusa dançarina dos crematórios, é uma das divindades mais assustadoras do panteão hindu – e possivelmente a mais mal interpretada de todas elas (tal como acontece com Exu, poderoso orixá do Candomblé, injustamente demonizado pelas religiões cristãs).



Iconograficamente, Kali é representada como uma deusa negra (Maha-Kali, a Grande Negra), com uma protuberante língua vermelha saindo de uma boca arregaçada sedenta de sangue, com uma guirlanda de crânios adornando o pescoço e um cinto feito de mãos decepadas.





Na verdade, Kali é a personificação da Deusa Mãe e todas as outras deusas são manifestações dela: Devi, Durga, Parvati, Uma, Sati, Padma, etc. Algo semelhante acontece no catolicismo, com suas inumeráveis Santas Marias, todas elas representações de uma única Virgem ou Nossa Senhora. E puxando um gancho, a Mirella Faur, autora do interessante Anuário da Grande Mãe, diz em seu estudo sobre as deusas que Kali (Kalika, para ela) é cultuada atualmente como Sara Kali ou a Madona Negra. Prossegue: “Transformada pela Igreja em Santa Sara, ela continua sendo para os ciganos a Mãe de seu povo. Devido a sua cor escura, Sara Kali é considerada a precursora das Virgens Negras europeias.” Interessante, não?



Enquanto Krishna ou Ganesha, (o deus menino com cabeça de elefante) causam simpatia e alguma comoção entre os viajantes e turistas mal informados que viajam à Índia, Kali é aquela cuja presença causa arrepios nos desavisados; obviamente, não foi o que aconteceu com a Eleonor Munro, uma pesquisadora séria e muito culta. A pergunta, que muitos não hindus se fazem, é: qual o significado dessa representação que, à primeira vista – e isso não se pode negar – causa tanta estranheza aos que são de fora?



Essa resposta pode ser difícil até mesmo para um indiano, já tão acostumado com a presença da grande deusa em seus altares. É em parte, através da observação dos rituais, das oferendas e das manifestações de amor e de carinho dirigidas a Kali que o viajante ou turista poderá compreender que aquela imagem tem que ser compreendida amplamente dentro de um sistema simbólico religioso, sem o qual ela jamais poderá ser decifrada, lembrando que o padrão simbólico tem o propósito de orientar o iniciado em seu processo de busca interior, a famosa jornada - em termos psicológicos - rumo ao Self.





Acredito que qualquer pessoa, com um pouco de sensibilidade e um tanto de leitura prévia sobre os costumes e a cultura local de um povo, seja capaz de ultrapassar a barreira das aparências e entender, ainda que parcialmente, que existe algo que vai além da primeira impressão.

Lembro-me que em minha viagem à Índia, em 1997, visitei com um amigo uma igreja católica em uma cidade cujo nome não me recordo, e que num salão anexo ao templo havia um museu, um tanto decadente, com vários bonecos em tamanho natural representando cenas importantes da bíblia, cada passagem como que montada em pequenas celas no estilo vulgar dos parques de diversões comuns em cidades litorâneas e do interior, com suas capengas e divertidas casas assombradas.



Marcou-me muito o fato das crianças de um grupo escolar que nos acompanhou ao passeio rirem (sem faltar com o respeito) daquela encenação toda, afinal para elas tudo aquilo não fazia o menor sentido e quisera eu poder entender sua língua para saber o que diziam as gravações que explicavam aquelas cenas. Nunca saberei. Íamos caminhando e parávamos em frente a cada cela que se iluminava enquanto a anterior se apagava, e foi assim até a última parada, quando então apareceu-nos encenado o Cristo crucificado, quase tão coberto de sangue quanto a deusa Kali.



Sempre desejei saber o que se passou na cabeça daquelas crianças naquele exato momento, quando já não mais viam graça alguma na representação. Novamente, nunca saberei, mas algo me diz que a dramaticidade daquela cena passou longe do sentimento de amor e compaixão ao qual os cristãos associam a Cristo Jesus.





Guardando as devidas proporções, não estamos diante de dois fatos semelhantes? Pois para um hindu, cuja religião não se conecta com o cristianismo, um Jesus na cruz é tão aterrador quanto a face negra de Kali com sua grinalda de caveiras o é para um ocidental. Daí a importância de nunca julgarmos aquilo que não conhecemos ou não compreendemos bem, um preceito tão óbvio e ao mesmo tempo tão facilmente ignorado.

Para quem acha esse tema interessante e quiser se aprofundar mais, indico as obras de Heinrich Zimmer (1890-1943), famoso indólogo que publicou textos extraordinários sobre a arte e as tradições religiosas da Índia. Embora o tema me interesse em particular, continuar escrevendo sobre Kali e os aspectos simbólicos dentro da religiosidade hindu foge muito da temática deste blog, por isso, para fechar as nossas divagações, vamos ler a seguir a passagem que me levou a escrever isso tudo que você acabou de ler aqui. OM Sri Kalikaya Namaha!


Na qualidade de peregrina, cheguei em Kali-Durga no lugar que passo a descrever. No chão de um santuário escuro como breu, no meio de uma porção de lixo e estrume, vi uma pedra preta com olhos de prata colados; uma língua vermelha de tanto lamber sangue saía da pedra.

Alguém havia colocado flores e arroz diante da pedra.
- E isto? Que acha disto? – perguntei ao meu guia, que era muito cordial.
- Acho cheio de paz. Tranqüilo. Como uma cemitério. A gente descansa. Qualquer um pode ficar aqui como se estivesse morto.
Pensei comigo: enquanto eu não entendesse Kali como “paz”, não seria capaz de entender a Índia. Algum tempo depois fui ao templo de Calcutá onde o crânio de Sati caiu do céu.



Passamos por vários becos sem sol. Em algum lugar um cachorro uivou. De várias cabanas de bambu escurecidas pelo tempo surgiram várias pessoas de rosto escuro que foram olhar da porta. Em cima de um muro de pedra vimos uma indigente empoleirada nuns joelhos magros, jogando dados com um menino vestido de trapos vermelhos.

Dobramos a esquina e chegamos numa praça. Numa plataforma alta ficava o templo, apinhado de peregrinos. Havia muitos gongos soando. Subimos e ficamos com a multidão que se empurrava para o altar. Bandeiras vermelhas tremulavam. De repente, vi-me levada para a frente.




Tropecei na beira de uma pedra e olhei para baixo. Vi a chama de muitas lamparinas a óleo entre flores vermelhas. “Salve, Mãe do Mundo das Ilusões!” choravam os peregrinos que estavam atrás de mim e ao meu lado. Ali, no meio do fogo e das flores, estava Kali de novo, transformada outra vez em pedra preta, dessa vez com três olhos, a língua vermelha de fora e as mãos erguidas em súplica, mãos vermelhas como o toco do braço de uma criança cuja mãe tomou talidomida.

Estaria eu esperando ver ali a Virgem Maria, de faces rosadas, dentro de uma nuvem? Confusa, olhei de novo para o meu guia e amigo. Ele olhou para mim com olhos muito brandos e repetiu: “Paz”.


Leia: Nos Caminhos da Glória. Eleonor Munro. Editora Siciliano, 1992.


Fontes:

Filosofias da Índia e Mitos e símbolos na arte e na civilização da Índia, de Heirich Zimmer, publicado por aqui pela bem aventurada Editora Palas Athena.

O Anuário da Grande Mãe: guia prático de rituais para celebrar a Deusa. Mirella Faur. Editora Gaia, 2001 (2ª ed.)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Notas de viagem e escrita fragmentária, by Olivia Dresher

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Descobri por acaso um site muito interessante que trata de um gênero literário pouco explorado, a escrita fragmentária. Na realidade, creio que nem podemos classificar esse tipo de escrita (em inglês, “fragmentary writing”) como um gênero literário propriamente dito, mas uma escritora estadunidense de Seattle, Olivia Dresher, pensa diferente: para ela a escrita fragmentária é sim um gênero, por possuir características próprias que o diferencia de outros gêneros como o romance ou o conto.

Entendo bem a posição da Olivia Dresher, porque a mesma coisa aconteceu com o
Luigi Monga, que lutou pelo reconhecimento da literatura odepórica enquanto gênero literário, tirando-o do limbo dos subgêneros. A bem da verdade, o que importa? Quem quiser ficar discutindo essa questão, que aproveite, e quem quiser ficar do lado dos pequenos, que fique. Eu fico com eles, que além de tudo me parecem pessoas simpáticas e de alto astral.



Diz a Olivia Dresher (na foto acima, nos anos 70) que a literatura fragmentária é um gênero difícil de definir, porque ele dificilmente se encaixa em algumas das categorias tradicionais de literatura (romances, contos, memórias, etc.); para ela, esse tipo de escrita se apresenta quebrada de alguma maneira e não é trabalhada de modo a possuir um início, meio e fim distintos. Duas formas de escrita que são inerentemente fragmentárias são os diários/agendas/cadernos de notas e as cartas.

Uma das características da escrita fragmentária é que é possível pular um parágrafo ou algumas linhas e sentir-se imediatamente envolvido com a leitura; os trechos fragmentados podem permanecer isolados, separados uns dos outros, mantidos em aberto e incompletos, mas isso também faz parte do seu charme natural.

A Olivia se encantou tanto com esse gênero de escrita que fundou uma editora independente, a Impassio, voltada à publicação de uma variedade de escrita fragmentária com um grande mix de gêneros, com ênfase especial em diários, relatos, cadernos de notas, ficção, aforismos, fragmentos de ensaios, prosa poética, fragmentos filosóficos, todos eles contemplando diversas artes literárias, como o romance, o conto e a poesia.



Além de escritora e editora, Olivia Dresher é antologista, tendo publicado duas obras nesse campo: In pieces: an anthology of fragmentary writing e Darkness and Light: Private writing as Art. E como eu ia dizendo lá no primeiro parágrafo, a dama tem um site - na verdade uma revista online, a Fraglit - que vale muito a pena perder um par de horas navegando; teve vida breve, o que é uma pena, porque tinha um conteúdo bacaníssimo de textos fragmentários.

Tudo começou em 2007, com artigos datados do jeito que os ianques costumam fazer e eu adoro: Outono de 2007, Primavera de 2008 e assim sucessivamente, de estação em estação (inverno e verão de fora) até o outono de 2010. Foram sete números, cada um deles com vários colaboradores e colaboradoras, e cada edição com um tema norteando os trabalhos publicados. O primeiro deles, que é o que nos trouxe até aqui, foi dedicado aos “Fragmentos de Viagem”. Depois vieram nessa ordem: Meditações sobre o amor, Cadernos filosóficos, Fragmentos de poemas, Memórias persistentes, Micro ensaios e Solidão. Interessante que só. Vou lhe dar uma dica de amigão: se tiver que optar por ler apenas um dos textos dessa primeira edição sobre Viagens, vá direto ao artigo do Guy Gauthier, Travel Journals: A way of capturing the moment. Essencial.



Claro que não vou transcrever o material do número sobre viagens na íntegra, para isso você terá que ir direto à fonte, prestigiando o trabalho da Olivia porque ela merece, claro. Como sempre, deixo o link no finalzinho do post, prá facilitar as coisas prá você.

Escolhi publicar o texto assinado pela própria Olivia. São citações (travel quotes) sobre o ato (ou a arte) de viajar que têm a cara do Odepórica, como você poderá conferir agora mesmo. Pensando bem, muito do material que lemos aqui no blog se encaixa direitinho nesse gênero de escrita fragmentária. Tudo a ver, pois como bem lembra a Olivia, a viagem, em essência, é uma experiência fragmentária. Namastê!

Travel Quotes, by Olivia Dresher



Quanto mais eu viajo, mais eu me torno consciente do fato de que não me encaixo facilmente em qualquer lugar. É como estar com saudades de um lugar imaginário. (Rane Arroyo, 2003)



Não tenho a tendência de me preparar para conhecer um novo lugar lendo guias de viagem. Eu quero, sem aquele habitual senso de rapidez, ser surpreendida, ir me desdobrando durante o percurso... Viajar talvez seja como a arte: nutre as partes de nós das quais nem imaginávamos ansiar. O que eu experimentei na Escandinávia está além das palavras; eu a envolvi em torno de mim como um xale de lã bordado. (Deena Linett, 1998)



Quando estou viajando sozinho e sem obrigações, anonimamente e sem agenda pré-estabelecida, por uma cidade onde nunca havia estado, normalmente há um momento onde eu me desloco para “dentro” do lugar, que é como eu imagino que deve ser entrar em um espelho. Eu não estou mais no lugar, mas sou do lugar. Esse processo de mudar para dentro de um lugar geralmente ocorre simultaneamente ao movimento que faço para dentro de mim mesmo, de modo que eu deixo de me sentir impotente em um lugar estranho que é maior e mais misterioso do que a minha capacidade de contê-lo ou compreendê-lo, e passo a controlá-lo- eu estou nele e sou parte dele, e me movimento através dele seguindo o meu próprio ritmo. (Randy Roark, 2004)



26 de janeiro. Não era uma miragem. Nova Iorque é aqui; tudo é real. Rajadas de vento no céu azul, no ar úmido e suave, mais triunfante do que o traiçoeiro charme da noite... Eu estou aqui e Nova Iorque vai ser minha... Caminho pelas ruas nunca pisadas por mim, ruas onde minha vida ainda não foi esculpida, ruas sem o mínimo aroma do passado. Ninguém aqui está interessado com a minha presença; ainda sou um fantasma, e deslizo pela cidade sem incomodar ninguém. (Simone de Beauvoir, 1947)



O que dá valor à viagem é o medo. É o fato de que, num determinado momento, quando estamos bem longe do nosso país, somos tomados por um medo vago, e um desejo instintivo de voltar para a segurança dos velhos hábitos. É este o benefício mais óbvio das viagens. Naquele momento estamos febris, mas também muito abertos, de modo que o mais leve toque nos faz tremer nas profundezas de nosso ser. Deparamo-nos com uma cascata de luz e já não há eternidade. É por isso que não devemos dizer que viajamos por prazer; não existe prazer em viajar, e eu olho para isso mais como uma ocasião de um exame espiritual. (Albert Camus, from Notebooks 1935-1942)



Se você deseja viajar para longe e de maneira rápida, viaje leve. Deixe para trás as suas invejas, os seus ciúmes, sua incapacidade de perdoar, seus egoísmos e medos. Cesare Pavese (1908-1950)



Minha mãe havia morrido e no vazio que se seguiu, tudo o que eu queria era estar longe de casa. Viajar tem um poder de cura para mim, e busquei nisso a droga para meu processo de cura. Eu ansiava por um lugar distante e inacessível o suficiente que me obrigasse a manter ao máximo a concentração para sobreviver ao momento presente, com nada pendente para o futuro ou o passado. Escolhi o Tibete. Eu queria fuga e epifania; levei poeira e distração. No final, era quase tudo a mesma coisa, e me senti agradecida. (Catherine Watson, 1997)





Cada vez que viajo, cada vez que dirijo, cada vez que monto um cavalo, eu sinto que estou viajando. Não importa onde estou, ou para onde vou, mesmo que seja apenas um quilômetro de casa. Quando viajo sozinha, eu derreto. Meu eu se converte em um rio de percepção. (Olivia Dresher, 2007)

Visite o site:
fraglit.com

Para ir mais longe, indico a leitura de um artigo acadêmico que encontrei disponível na Web quando procurava informações sobre a literatura fragmentária. O paper, apresentado este ano num congresso da ABRALIC tem autoria de Mauro Marcelo Berté da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e intitula-se
“Da França ao Marrocos, da Irlanda à Itália, Barthes e Joyce em deslocamento”. É leitura acadêmica, escrita em academiquês, mas o tema é tão interessante que você até esquece desse detalhe. Nota dez pro Berté!